domingo, 24 de setembro de 2017

RACISMO NA UNIVERSIDADE

Segundo o dicionário da língua portuguesa racismo é “atitude hostil ou discriminatória em relação a um grupo de pessoas com características diferentes, notadamente etnia, religião, cultura, etc". 
O racismo foi criminalizado em 1988, com a promulgação da nova Constituição:
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
“XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”

A criminalização do racismo, embora necessária para coibir essa prática, não foi suficiente para erradicar este câncer social de raízes históricas. Os grandes centros urbanos e as periferias das cidades são compostas majoritariamente por negros, porém nas universidades existem pouquíssimos professores(as) negros(as). A maioria do povo negro trabalha em empregos informais e sofre com a repressão policial que pune e mata seletivamente dia após dia.
 Como uma forma de compensar erros cometidos no passado contra essas etnias, a Lei de cotas raciais foi sancionada em 29 de agosto de 2012. Elaborada para ajudar a respeitar e a cumprir os direitos de grupos tradicionalmente marginalizados ou excluídos,  as cotas raciais ganharam visibilidade a partir dos anos 2000, quando universidades e órgãos públicos começaram a adotar tal medida em vestibulares e concursos. Entretanto, o acesso da população negra à universidade revelou novas facetas do racismo, nada velado, daqueles que ridiculamente se consideram superiores em função da cor de sua pele.  Recentemente uma universidade pública do Rio Grande do Sul foi condenada a pagar indenização a dois alunos que sofreram racismo por parte de uma professora, do curso de letras, na disciplina de Língua Alemã. Os alunos provaram na justiça que a professora dispensava um tratamento diferenciado aos dois pelo fato de serem negros, inclusive em relação às notas que eram sempre inferiores às dos colegas, embora o nível das atividades fosse equivalente.  
Esta situação não se configura em um fato isolado, porque  diariamente estudantes negros das universidades sofrem com o preconceito de colegas e professores, o que demonstra que o preconceito de cor continua latente na sociedade brasileira. Carneiro (2003, p.5) afirmou que:
 "o Brasil sempre procurou sustentar a imagem de um país cordial, caracterizado pela presença de um povo pacífico, sem preconceito de raça e religião [...]Sempre interessou ao homem branco a preservação do mito de que o Brasil é um paraíso racial, como forma de absorver as tensões sociais e mascarar os mecanismos de exploração e de subordinação do outro, do diferente [...]" (CARNEIRO, 2003, p.5).

 É lamentável que nas universidades, local de produção e incentivo à cultura, nos deparemos com situações de preconceito e discriminação contra representantes de uma etnia que, em sua maioria, já sofrem com a marginalização ou exclusão social herdadas de um passado de escravidão que mancha e envergonha a história deste país.




sábado, 9 de setembro de 2017

DIVERSIDADE CULTURAL

Convidei as crianças à sentarem em círculo para ouvir a história de  “Obax” ( texto e ilustrações de André Neves) uma menina criada nas savanas da África e dotada de uma grande imaginação. Perguntei se alguém conhecia algo sobre a África e houve apenas comentários sobre os animais.  Iniciei, então, a contação e fui mostrando as imagens onde eram retratados os animais, a vegetação, costumes e vestimentas típicas. Ressaltei a vivacidade das cores e a riqueza das lendas e costumes do povo.  As crianças demonstraram curiosidade sobre a localização e os costumes do povo africano. Fomos à biblioteca para pesquisar mais sobre o Continente Africano.  As crianças exploraram diversos materiais, inclusive atlas e o globo terrestre. Ficaram encantados com os animais e com o deserto do Saara. Os trajes típicos também chamaram a atenção pelas cores vivas. 
Depois da pesquisa fizemos produções textuais e representações por desenho.
Considero muito importante incorporar ao currículo o estudo das civilizações que ao longo da nossa história tiveram seus saberes suprimidos em favor de uma cultura ocidental dominante. Explorar o continente africano em relação a suas belezas naturais e à riqueza cultural de seu povo foi uma atividade que atraiu a atenção das crianças que demonstraram interesse e curiosidade pela cultura e diversidade existente neste continente. Continuaremos tratando do tema para evidenciar a influência do povo africano na nossa cultura. 
                                        




INTERNET E ACESSO À INFORMAÇÃO

Pensar sobre as redes sociais e sua implicação para a nova geração me fez considerar dois pontos cruciais: distração e aprendizagem.
A nova realidade de acesso à internet permite a interação de uma gama enorme de usuários através do whatsapp, facebook, twitter ou instagram; Inclusive o acesso à podcasts, sites sobre uma variedade ilimitada de assuntos, jogos online, blogs e vídeos constituem um espaço de comunicação entre internautas. Todas estas possibilidades demandam um tempo que é roubado das atividades offline, como o convívio com familiares e amigos, as atividades acadêmicas, prática de esportes. Enfim, é saudável estar conectado também com o mundo real. Quando aprendemos a dosar o uso das mídias, garantimos uma maior qualidade de vida.
A tecnologia no dia-a-dia das pessoas alterou as culturas sociais, ao configurar-se como uma nova maneira de transmitir informações e gerar conhecimento. No que diz respeito à aprendizagem, as redes sociais são bons espaços para os educadores compartilharem com os alunos materiais multimídia, notícias de jornais e revistas, vídeos, músicas, trechos de filmes ou de peças de teatro que envolvam assuntos trabalhados em sala, como material complementar. O aluno também desenvolve uma autonomia em relação a sua formação: pesquisa, acessa, explora, visita e descobre um universo além da sala de aula. Em linhas gerais, a internet democratizou o acesso ao conhecimento.
Todavia, o papel do professor é imprescindível na educação dos usuários, para que possam filtrar o conteúdo das informações recebidas, visando o uso das redes sociais de forma ética e responsável. Obtendo-se essa seleção, a interação entre os meios de comunicação, professores e alunos torna-se mais segura e possibilita que o uso das redes venha a se tornar válido no processo de ensino-aprendizagem.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

PÚBLICO X PRIVADO

A história da América Latina é marcada pelo genocídio e pela negação do outro – seja no plano das representações ou no imaginário social. Embora a sociedade brasileira seja produto da miscigenação de diversas raças, não ficamos isentos ao racismo, à discriminação e à exclusão social. O papel que o sistema educacional exerce para a manutenção da desigualdade pode ser analisado com mais clareza a partir da disparidade existente entre educação pública e privada. A escola pública é constantemente acusada de desprezar os saberes das classes populares e forçar o ensino de uma cultura comum. Entretanto é preciso lembrar que existe um currículo comum às escolas públicas e privadas, que se baseia nos conhecimentos e valores da cultura ocidental, em detrimento de outras culturas e, inclusive, da nossa própria história. Segundo Perez Gomez (1993):
“A escola deveria ser concebida como um espaço de cruzamento de culturas e exercer uma função de mediação reflexiva daquelas influências plurais que as diferentes culturas exercem de forma permanente sobre as novas gerações (p. 80)”
Portanto, é preciso rever urgentemente estes currículos se desejamos uma educação multicultural e uma sociedade mais justa e inclusiva.
Outro ponto importante é a situação da escola pública no Brasil que, sujeita às políticas neoliberais, está em processo de sucateamento. O ensino é basicamente teórico porque não existe laboratórios, instrumentos, computadores ou qualquer tecnologia que possibilite um ensino de qualidade. Desta forma, não permite a redução da distância entre a escola pública e a privada e diminui as oportunidades de ascensão social às classes mais desfavorecidas. Segundo FREIRE (1973), a Educação pode dirigir-se a dois caminhos: para contribuir para o processo de emancipação humana, ou para domesticar e ensinar a ser passivo diante da realidade que está posta. 


sexta-feira, 7 de julho de 2017

DESAFIOS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA


Um dos primeiros movimentos que trata sobre a função social da escola teve origem por volta dos anos 20 e 30. Alguns educadores como Anísio Teixeira, Fernando Azevedo e Lourenço Filho contribuíram para grandes progressos na área educacional com idéias divulgadas em um documento conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação (1932), trecho transcrito abaixo:
“A escola, campo específico de educação, não é um elemento estranho à sociedade humana, um elemento separado, mas “Uma instituição social, um órgão feliz e vivo, no conjunto das instituições necessárias à vida, o lugar onde vivem a criança, a adolescência e a mocidade de conformidade com os interesses e as alegrias profundas de sua natureza […].”
Trecho que parece bastante atual, entretanto, somente com a Constituição de 1988 e com a publicação da LDB/96, a escola terá reconhecida sua importância social e será desafiada a repensar sua gestão para garantir um ensino de qualidade e o  acesso e permanência na escola.
A Lei 10.576/95 dispõe sobre a gestão democrática do ensino público, no seu artigo 6º orienta sobre a administração dos estabelecimentos de ensino:
Art. 6º A administração do estabelecimento de ensino será exercida por uma Equipe Diretiva – ED – integrada pelo Diretor, pelo Vice-Diretor e pelo Coordenador Pedagógico que deverá atuar de forma integrada e em consonância com as deliberações do Conselho Escolar. (Redação dada pela Lei n.º 13.990/12).
Neste artigo fica clara a responsabilidade e a importância dos Conselhos Escolares, entretanto a descentralização do poder, na administração das escolas, se constitui em um desafio. As instâncias colegiadas como os Conselhos Escolares e os Grêmios estudantis ainda têm tímida  participação nas decisões e nas atribuições que lhe competem. Ao entrevistar o presidente do conselho escolar percebi claramente a falta de informação sobre as responsabilidades e competências do conselho.
Das funções do conselho - deliberativa, consultiva, mobilizadora, fiscalizadora e avaliativa- a única que percebi alguma atuação foi a deliberativa, mesmo assim, o conselho é chamado mais para ratificar as decisões da direção do que propriamente para opinar.
O empoderamento das instâncias colegiadas é imprescindível para a efetivação da gestão democrática, da formação de lideranças e do desenvolvimento da cidadania.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

PROJETOS DE APRENDIZAGEM EM AÇÃO

Os Projetos de Aprendizagem estão em andamento, a turma de oitavo ano com a qual estou desenvolvendo a atividade tem demonstrado uma crescente autonomia em suas pesquisas, os primeiros resultados já estão aparecendo e percebe-se que as aprendizagens estão ocorrendo. Iniciamos, então, uma revisão nos quadros de certezas e dúvidas e um aperfeiçoamento nos mapas conceituais. Assim daremos prosseguimento ao trabalho traçando o Plano de ação.
O plano de ação é imprescindível para sistematizar o processo de investigação, elencar os recursos necessários à pesquisa e estabelecer as fontes a serem utilizadas nos projetos de aprendizagem.
Organizamos um cronograma estabelecendo o tempo necessário à validação dos itens do inventário dividindo as etapas de  coleta,  análise de dados, debates e produção da síntese reflexiva.
Elencamos os recursos necessários para tais como: vídeos sobre alimentação saudável; pesquisas na internet; manuseio de materiais (como rótulos de produtos industrializados), palestras (sobre a importância da alimentação no desenvolvimento das civilizações); pirâmide alimentar; experiências com alimentos e bebidas e  tabelamento de dados de pesquisas com a comunidade escolar.

Estamos planejando a melhor forma de socializarmos as sínteses reflexivas com os colegas e professores.

FATORES QUE INFLUENCIAM NA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO

O Brasil é um  país com extrema desigualdade socioeconômica, que se estabelece entre as regiões, estados e município chegando até às escolas públicas. Os recursos variam bastante de escola para escola, dependendo se a  localização é mais ou menos privilegiada economicamente. A qualidade do ensino é diretamente afetada pelos fatores intra e extra-escolares.
Os fatores intra-escolares  são aqueles que dão suporte ao trabalho pedagógico, envolvem os espaços como: refeitório, biblioteca, salas de multimídia, laboratório de ciências, ginásio esportivo e sala de música, entre outros. Envolvem, ainda, os materiais didáticos como: livros, jogos, internet e material esportivo, por exemplo.
Os fatores extra-escolares incluem as políticas públicas e os programas de financiamento da educação como PDE Escola, o PDDE, o transporte escolar e outros que oportunizam o acesso e a permanência na escola.
o artigo 22 da LDBEN/96 estabelece os fins da educação básica:                                
“A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.”

Para que se cumpram estas finalidades é necessário qualificar a escola, ou seja, é preciso que haja  financiamento adequado às necessidades de cada escola, destinando mais recursos aquelas que mais necessitam sem, contudo, descuidar das demais.  A qualidade da educação passa por qualificação e valorização do professor, pela instrumentalização da escola e por uma gestão de qualidade.