O Brasil deve ser
disparado o país com um maior número de leis, entretanto o fato de algo estar
escrito não é garantia de efetivação. No caso da inclusão escolar, a legislação
visa garantir todas as condições para
que a criança com necessidades educacionais especiais receba o atendimento
adequado nas escolas.
Em entrevista à Revista
Nova Escola (Maio/2005), Maria Teresa Eglér Mantoan[3], define inclusão como:
“É a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o
privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. A educação
inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção.” Mantoan (Maio/2005), fala
em “privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós”.
A partir de 1988, a
Constituição Federal garantiu o acesso de todos os alunos às turmas comuns do
ensino regular gerando uma reflexão sobre a escola, sobre o seu papel de
formador das futuras gerações e sobre o desafio de considerar as diferenças na
sala de aula um fator que qualifique e enriqueça o ensino.
A garantia de acesso, entretanto não veio acompanhada de
ações que qualificassem a escola. Na verdade, a inclusão está longe de se
efetivar porque as escolas não têm suporte para atender o público alvo da
educação especial e assegurar seu desenvolvimento cognitivo, dado as suas
especificidades educacionais diversas. Em especial o professor não recebeu nenhuma
formação que o capacitasse a lidar com esta nova realidade. Xavier (2002)
considera o seguinte:
A construção da competência do professor para responder
com qualidade às necessidades educacionais especiais de seus alunos em uma
escola inclusiva, pela mediação da ética, responde a necessidade social e
histórica de superação das práticas pedagógicas que discriminam, segregam e Os
desafios da educação inclusiva e a escola hoje ANUÁRIO DE PRODUÇÕES
ACADÊMICO-CIENTÍFICAS DOS DISCENTES DA FACULDADE ARAGUAIA 141 excluem, e ao
mesmo tempo, configura, na ação educativa, o vetor de transformação social para
a equidade, a solidariedade, a cidadania (XAVIER, 2002, p. 19).
Nas escolas estaduais, em especial, a realidade é uma só:
não há verbas suficientes para que se faça uma escola de qualidade para todos
os alunos, nem para os sem deficiência, nem para os com deficiência. Nas séries
finais do ensino básico, o problema se agrava, pois as crianças com
deficiências mais acentuadas ficam depositadas nas salas de aula, sem tarefas
ou com atividades infantis, que não acrescentam nada em sua formação. É
essencial que os professores reconheçam sua própria importância no processo de
inclusão, pois a eles cabe planejar e implementar intervenções pedagógicas que
dêem sustentação para o desenvolvimento das crianças (LIMA, 2006, p. 123).
Como disse Carlos Skliar- no vídeo "O papel da escola,
do professor e da educação inclusiva"- os países que mais falam em
inclusão são aqueles que têm grandes dificuldades de incluir. Receber todas as
crianças na escola é apenas o primeiro passo para garantir a inclusão e, embora
de grande relevância, não é o único, a escola precisa estar equipada com
recursos físicos, tecnológicos, material didático adequado e, sobretudo, com professores preparados e aptos a lidar com os alunos com
necessidades educacionais especiais.
LIMA, Priscila
Augusta, 1957. Educação inclusiva e igualdade social. São Paulo: Avercampo,
2006.
MANTOAN, Maria
Teresa Eglér. Inclusão escolar: pontos e contrapontos, Rosangela Gavioli